O Programa Marcia Peltier Entrevista recebe nesta terça-feira, dia 17 de maio a psicóloga, psicanalista e escritora Irene Popow.
Irene está lançando o livro Adeus Stálin! – onde conta toda a trajetória de uma menina que viu os horrores da guerra bem de perto. Ela nasceu nos anos 30 na Ucrânia, ainda nos tempos da antiga União Soviética.
Seguia uma vida igual a todas as meninas de sua época, até que começou a Segunda Guerra Mundial. Em 1941, tropas nazistas invadiram a cidade onde nasceu. “Meu país e minha família sofreram com os nazistas e também com Stálin”,conta.
E a vida dela mudou para sempre. Passou por nove campos de concentração pela Europa. “A gente passou por campos de concentração, de trabalhos forçados, mas não eram campos de extermínio”,diz.
No livro, ela narra outro grande sofrimento que presenciou: as milhões de mortes causadas pela coletivização forçada da agricultura, instituída regime comunista na antiga URSS.”Para forçar as famílias a aderirem à agricultura coletiva, os soldados de Stálin confiscavam os alimentos dos agricultores, cercavam as propriedades e fuzilavam quem tentasse fugir”, lembra.
Isso provocou uma tragédia pouco lembrada pela História, segundo ela. “Calculo que mais de 10 milhões de ucranianos morreram de fome na coletivização forçada. Foi um verdadeiro holocausto que deveria ser mais lembrado”, fala. Ela revela ainda histórias ainda mais chocantes em meio a todo esse horror.
“Houve casos de canibalismo, para que as pessoas não morressem de fome”,diz emocionada.
Com o fim da Segunda Grande Guerra, a família de Irene ficou vagando pela Europa e acabou vindo parar, por acaso, no Brasil. “Meus pais queriam ir para a Argentina. Mas a Argentina suspendeu a entrada de imigrantes. Ficamos em pânico e meu pai acabou descobrindo que o Brasil aceitava imigrantes. Mas minha mãe não queria vir.
Ela dizia que aqui tinham jacarés e cobras que iam devorar as filhas delas”, relembra.
Mas tudo mudou quando a família chegou ao Rio de Janeiro, num navio vindo da Itália. “É um privilégio quem chega ao Rio de Janeiro de navio. É lindo. Minha mãe, que não queria vir, quando desceu aqui, beijou o chão e disse: Paraíso! Quero morrer aqui!”, diz.
Aqui, foi babá e atendente de consultório, até conseguir começar a estudar. Foi professora e se formou em psicologia. Trabalhou no hospital Pinel e há 33 anos atua como psicóloga e psicanalista.
É mãe do diretor de TV Ricardo Waddington e do cineasta Andrucha Waddington.Aliás, a idéia de escrever o livro “Adeus Stálin”, surgiu de um jantar com Andrucha. “Eu estava jantando com meu filho no dia do encerramento dos Jogos Olímpicos de 1996 em Atlanta, nos Estados Unidos e enquanto víamos a cerimônia na tv do restaurante,comecei a contar histórias da minha infância durante a guerra e ele começou a chorar. Então percebi que tinha que contar essa história”,fala.
E com um filho cineasta e outro diretor de TV, alguma chance do livro virar um filme ou série de TV?”Eles acham que o livro é um roteiro pronto”, afirma.
MÁRCIA PELTIER ENTREVISTA
Terça-feira 17/05/2011 as 23:00.
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