quarta-feira, 6 de abril de 2011

‘Não queremos bater de frente com a novela da Globo’.

A estreia da novela, que se passa no período da ditadura militar, está marcada para as 22h15. É para não enfrentar a novela da Globo, explica Daniela Beyruti. “É muito investimento para isso”, diz, batendo com as costas de uma mão na palma da outra. A novela de Tiago Santiago tem o custo médio de 200.000 reais por capítulo.

Diretora artística e de programação da emissora, e filha “do homem”, Silvio Santos, Daniela é a maior autoridade no local. O pai não comparece porque dorme cedo, às 22h30. “É que ele acorda todo dia às 5h”, explica a filha. Assediada por repórteres e fotógrafos, ela mal tem tempo de tuitar. Posta uma mensagem no início da noite – “Hoje vamos conhecer um pouco mais da nossa história! Amor e Revolução estreia” –, uma segunda minutos antes de a trama ir ao ar e uma terceira e última ao final, comemorando a audiência no Distrito Federal, onde o SBT chegou a ficar a um ponto da liderança.

A prévia da audiência da Grande São Paulo, onde cada ponto do Ibope equivale a 58.000 domicílios, ela prefere não dar. Checa as informações no celular, apertando os botões com os dedos de unhas escuras, e diz apenas que ultrapassou o esperado. “Eu esperava 7 pontos no Ibope.” A audiência vai ditar o futuro de Amor e Revolução, novela que o autor, Tiago Santiago, chegou a oferecer à Globo anos atrás. Inicialmente prevista para abranger o período entre o golpe militar e a guerrilha do Araguaia, ela pode chegar à redemocratização do país, se tiver público. Daniela comemora a possibilidade de gravar o folhetim enquanto está no ar, algo quase inovador em se tratando do SBT, emissora que vinha estreando suas novelas já totalmente gravadas. “A gente pode desenvolver a história segundo aquilo que o espectador quer."

Nazismo x ditadura - Animada com a estreia, a diretora de programação do SBT diz não temer a reação dos militares – muitos se mostraram incomodados com a novela antes mesmo de sua estreia. “É importante retratar a realidade. Cada país tem as suas forças e as suas fraquezas. Os Estados Unidos tiveram uma guerra civil, a Alemanha teve o nazismo. Nós tivemos a ditadura, não podemos esquecer isso.”

Telecurso 2º Grau – Assim como o autor, Tiago Santiago, Daniela Beyruti sustenta que Amor e Revolução irá mostrar “os dois lados da história”. A tentativa de quebrar um possível maniqueísmo na trama se apóia no personagem José Guerra (de um não mais que razoável Claudio Lins). Major da inteligência do Exército neste início de novela, ele é a ovelha branca da família: discorda do pai, o general Lobo Guerra (Reinaldo Gonzaga), e do irmão, também major (Nico Puig, em retorno à TV), ambos alinhados com o golpe militar.

VEJA

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